Posicionamento

Seu filho não precisa de terapia, precisa de um novo jeito de conversar com você

É comum que, diante das primeiras dificuldades de comunicação com um filho pré-adolescente, os pais se façam a mesma pergunta: "Será que ele precisa de terapia?" Essa é uma reação natural e, em muitos casos, vem de um lugar genuíno de cuidado. Mas, na maioria das situações que atendo, a resposta não é essa.

Entender a diferença entre o que é um desafio de comunicação familiar e o que, de fato, exige acompanhamento clínico é o primeiro passo para direcionar a energia e os recursos da família para o lugar certo.

Terapia infantil e apoio parental não são a mesma coisa

A terapia infantil ou familiar tem como objetivo diagnosticar e tratar questões emocionais ou comportamentais específicas, muitas vezes ligadas a quadros clínicos que exigem acompanhamento especializado contínuo.

Já o trabalho de educação e apoio parental, como consultoria ou mentoria, tem um propósito diferente. Ele não busca diagnosticar transtornos, mas sim desenvolver, junto aos pais, habilidades práticas para lidar com os desafios cotidianos da criação. O foco está na relação, na comunicação e nas ferramentas que os próprios pais podem aplicar no dia a dia.

Na prática, boa parte dos conflitos familiares relatados por pais de pré-adolescentes não decorre de um problema no filho, mas de um descompasso na forma como a família se comunica diante das mudanças dessa fase.

Por que a comunicação costuma ser o verdadeiro ponto de partida

Muitos dos comportamentos que preocupam os pais, respostas ríspidas, resistência a regras, fechamento repentino, têm origem em um processo de desenvolvimento típico da pré-adolescência, e não em um transtorno a ser tratado.

Nesses casos, o que costuma trazer resultado mais rápido e efetivo não é uma intervenção clínica, mas sim uma mudança na forma como pais e filhos se comunicam. Isso inclui aprender a validar sentimentos antes de corrigir comportamentos, construir regras em conjunto, e reconhecer os sinais por trás das reações do filho.

Esse é justamente o trabalho que desenvolvo com as famílias que atendo, seja em consultoria individual, seja em mentoria contínua. O objetivo não é apontar o filho como o problema a ser resolvido, mas fortalecer a relação como um todo.

Quando a terapia é, de fato, o caminho certo

Isso não significa que a terapia nunca seja necessária. Ela é, sim, o caminho indicado quando há sinais consistentes de sofrimento emocional intenso, isolamento social severo, mudanças bruscas e duradouras de comportamento, ou suspeita de questões de saúde mental que exijam avaliação especializada.

Nesses casos, a orientação de um psicólogo ou psiquiatra é fundamental, e um bom profissional de apoio parental deve ser o primeiro a reconhecer quando a situação está além do escopo do seu trabalho e encaminhar a família adequadamente.

Como saber qual caminho faz sentido para a sua família

Uma forma simples de refletir sobre isso é observar se o desafio está concentrado principalmente na comunicação e na relação, ou se envolve sinais mais amplos de sofrimento que persistem independentemente da forma como a família se comunica. No primeiro caso, o apoio parental tende a trazer resultados consistentes. No segundo, vale buscar uma avaliação profissional especializada.

Se você não tem certeza de qual dos dois caminhos é o mais adequado para o momento da sua família, essa também é uma conversa que pode, e deve, ser feita antes de qualquer decisão.

Se o desafio da sua família está mais ligado à comunicação do que a um quadro clínico, posso te ajudar a construir um novo jeito de se relacionar com seu filho.

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